terça-feira, 10 de novembro de 2009

Na ampulheta: 21:42

Graciosa Rainha de Copas


Ah Rainha! Quanto tempo não tenho noticias suas. Chego até a sentir falta... Mentira! Estou bem aliviado. Não saber de você me deixa mais calmo. Enterra mais fundo uma parte significativa dos meus fantasmas.

Lembro de você cada vez menos. Hoje vossa realeza (sarcasmos) é mais uma citação do que uma lembrança. Mais um relacionamento passado do que um amor perdido. A maioria das nossas historias viraram piadas ou situações embaraçosas para outros sorrir. Ontem você foi lagrimas, hoje você é graça.

Outro dia, meio a amigos, contei sobre umas de nossas primeiras viagens juntos. Quando sua irmã, ainda uma Dois de Copas, fez todo o caminho de volta pedindo frutas. Isso já foi uma memória desagradável, hoje, com alguns artifícios de retórica e um pouco de eloqüência, é garantia de risos.Algumas outras bem piores rendem risadas intensas a mesma proporção dos sofrimentos do passado.

Então é isso que você é atualmente, rainha, uma memória. Na maioria das vezes casual e em outras poucas um conto de humor, não importando se for por embaraço ou humor negro. Outras raras, mas bem raras, você é memória de uma lição na vida. De uma vida que eu não quero mais repetir.

Lembro de te ouvir se acusar de superar os bons momentos com os ruins, eu aprendi a escantear ambos quando se faz necessário. Assim, hoje você não passa de um anteontem. Amanha será pré-história, apenas fatos dedutíveis por vestígios. Sem escritos, testemunhas ou provas.


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